Bahia é o 2º com mais mortes em operações, feminicídios e chacinas, aponta pesquisa - Jornal Camaçari - Pra quem quer mais!

terça-feira, 14 de julho de 2020

Bahia é o 2º com mais mortes em operações, feminicídios e chacinas, aponta pesquisa



A Bahia é o segundo estado que mais registrou mortes em operações policiais, feminicídios (homicídios de mulheres cometidos em razão do gênero), violência contra a mulher e chacinas. É o que revela a pesquisa "Racismo, Motor da Violência", da Rede de Observatórios da Segurança, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), divulgada nesta terça-feira, 14, e realizada entre junho de 2019 e maio deste ano. O projeto é feito por pesquisadores dos estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo, e analisa como o racismo é visto em relação aos trabalhos de segurança pública.

Os dados foram reunidos por meio do acompanhamento diário de jornais, sites, portais noticiosos, perfis de redes sociais e grupos de WhatsApp pelos pesquisadores da Rede, com base em uma única metodologia de classificação. Entre muitas outras descobertas, o relatório demonstra a ausência de registros sobre racismo e injúria racial (50 ocorrências), em contraste com a abundância de notícias sobre ações policiais (mais de 7 mil casos). O documento também aponta como a predominância de negros e negras entre as vítimas de violência está ausente do debate público. Pretos e pardos são a maioria dos mortos pela polícia, mas em 7.062 notícias sobre ações policiais analisadas houve apenas uma menção à palavra negro e equivalentes.

A publicação traz dados sobre ações de policiamento, violência contra a mulher, violência letal e sistema penitenciário e socioeducativo. De acordo com os dados da pesquisa, entre os cinco estados analisados pela Rede, a Bahia, com 260 mortes em operações policiais, ocupa o segundo lugar no ranking, atrás apenas do Rio de Janeiro, que registrou 483 no período.

Operações policiais
O balanço de um ano de casos confirmou a letalidade das polícias no Brasil: as operações e patrulhamentos monitorados pelos cinco Observatórios durante um ano resultaram em 984 mortos e 712 feridos. Ou seja, uma em cada sete operações monitoradas registrou ao menos uma morte.

O Rio de Janeiro é o estado que teve mais ações policiais: foram 2.772, no período, seguido por São Paulo (2.210), Bahia (1.105), Ceará (707) e Pernambuco (358). O Rio também registrou o maior número de vítimas nestas ações monitoradas: ao todo, foram 981 pessoas. O total inclui 483 mortos (inclusive 19 crianças) e 479 feridos. São Paulo teve 362 vítimas (249 fatais) e a Bahia, 332 (260 fatais).

Feminicídios e Violência Contra a Mulher
Ao todo, foram computados 1.408 casos desta natureza nos cinco estados monitorados. Juntos, feminicídios (454) e tentativas de feminicídio (516) correspondem a 68,8% deste total. São Paulo foi o estado com mais casos de feminicídios (175), seguido de Pernambuco (90) e Bahia (75).

Em um ano de monitoramento, nos cinco estados, foram registradas 101 chacinas, eventos em que três ou mais pessoas são mortas na mesma ocasião. As três cidades com mais registros deste tipo de violência são: Rio de Janeiro (23), Salvador (17) e Fortaleza (7).

Secretaria de Segurança Pública
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) informou que as mortes ocorridas durante confronto são investigadas pela corregedoria da instituição a que o servidor/equipe pertence. Reforça que o papel do policial é salvaguardar vidas, a dele e a da sociedade, e é para isso que ele é instruído, capacitado e orientado. Qualquer ação que fuja dessas premissas é fortemente condenada pela pasta.

A SSP não tem como validar o dado apresentado sobre a porcentagem de mortes em confronto em relação ao número de ações policiais, mas adianta que o aumento no registro de revides contra a polícia tem sido observado com preocupação pela pasta, que tem reforçado o investimento em equipamentos de ponta para a proteção dos seus servidores. Por fim, a SSP destaca que tem atuado de maneira firme contra a má conduta policial, que só no último mês foi responsável pela prisão de policiais envolvidos com ações ilícitas.