Bahia ocupa 2º lugar no ranking de desmatamento da Mata Atlântica - Jornal Camaçari - Pra quem quer mais!

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Bahia ocupa 2º lugar no ranking de desmatamento da Mata Atlântica



A Bahia é o segundo estado do país onde mais se desmatou áreas de Mata Atlântica entre 2018 e 2019, de acordo com o relatório “Atlas da Mata Atlântica”, divulgado nesta quarta-feira (27) pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas (INPE).

Entre 1º de outubro de 2018 e 30 de setembro de 2019, foram abatidos 3.532 hectares de área de Mata Atlântica no estado (1 hectare equivale a 10 mil m²).

A Bahia só ficou atrás do estado de Minas Gerais, onde 4.972 hectares foram abatidos. No Brasil inteiro, foram 14.502 hectares de área de Mata Atlântica desmatada, um aumento de 27% em relação ao ano passado.

Os números mostram um retrocesso no combate à degradação do meio ambiente por parte do estado, depois de anos de evolução nesse aspecto, por culpa de um entendimento equivocado do Governo do Estado e de um posicionamento permissivo do Governo Federal, na opinião de Mário Mantovani, geógrafo e diretor de políticas públicas do SOS Mata Atlântica.

Em entrevista ao G1, ele criticou a postura do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema).

“O Inema está dando autorizações para supressão de Mata Atlântica sem levar em consideração a lei, o que é perigoso, porque pode levar a ações na Justiça, como aconteceu com o ministro (do meio ambiente, Ricardo Salles)”, afirmou.

"A Bahia é um dos únicos estados com autorização do desmatamento onde não pode, por isso que recrudesceu. E também o pessoal achou que liberou geral, pelo mau comportamento do Governo Federal".

Os números divulgados nesta quarta mostram que, em relação ao ano passado, o desmatamento da Mata Atlântica na Bahia saltou de 1.985 hectares para 3.532 hectares, um crescimento de 77%.

Para Mário Mantovani, o estado precisa de um “freio de arrumação”.


“A gente precisa criar um freio de arrumação na Bahia, criar esses incentivos, voltar a fazer os planos municipais de Mata Atlântica, porque quando se fala de desmatamento e você chega na Mata Atlântica, você tem atividades que já estão estabelecidas, já estão certificadas, por exemplo, a celulose. Do conflito que era do começo para hoje, houve uma evolução sideral, vamos dizer assim. E aí agora você põe em risco que já tem uma atividade regular para atender um governo que é irresponsável”, disse.

"Estão rasgando as regras para atender grupos de interesse, como a gente viu em Porto Sul, por exemplo, que, inclusive, conflita com atividades do turismo".
Procurado pela reportagem, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) afirmou, por meio de nota, que toma como surpresa os dados apresentados porque “a Bahia tem alcançado resultados promissores na detecção remota do desmatamento ilegal no Estado”.

O Inema diz ainda que, apesar dos “expressivos resultados alcançados”, não é hora de arrefecer os trabalhos.

Confira, na íntegra, a nota do Inema.

O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema), informa que até o momento não recebeu, oficialmente, nenhuma informação sobre os dados apresentados no relatório realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica.

Tomamos como surpresa os dados apresentados, pois o Governo do Estado da Bahia, através do Inema lançou em 2017, o Programa Harpia, que foi desenvolvido em parceira com o Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (INPE), para trabalhar as informações específicas da Mata Atlântica. As características técnicas foram adaptadas dos programas do INPE, uma vez que o monitoramento utilizado para a Floresta Amazônica não é totalmente aderente à realidade das formações florestais na Bahia.

Através do Projeto Harpia, a Bahia tem alcançado resultados promissores na detecção remota do desmatamento ilegal no Estado. A partir das informações obtidas pelo modelo de detecção, o Instituto têm como produto a elaboração de polígonos com indicação de decremento de vegetação nativa que posteriormente são encaminhados para as equipes de fiscalização que in loco verificam a situação e validam os dados gerados.

A partir do uso da nova metodologia a Bahia vem apresentando importantes reduções nos dados de desmatamento ilegal na Mata Atlântica. Essa informação é evidenciada pelos relatórios anuais de monitoramento emitidos pela Fundação SOS Mata Atlântica desde 2018. No último relatório disponibilizado no mês de maio de 2019, onde a Fundação SOS Mata Atlântica, aponta que a Bahia registrou os menores índices de desmatamento ilegal desde que a série histórica vem sendo produzida, há mais de 30 anos.

Este resultado se deve também aos esforços coletivos que o projeto HARPIA conseguiu alcançar ao longo dessa exitosa caminhada, com a construção de uma fortalecida rede de pareceria interinstitucional e em ações conjuntas realizadas pela equipe de fiscalização do Inema, Polícia Militar da Bahia, o Ministério Público Estadual, o IBAMA e o INPE.

Mesmo com os expressivos resultados alcançados, o INEMA demonstra que ainda não é momento de arrefecer os trabalhos. Diversos contatos foram iniciados em busca de parcerias que possam ampliar a capacidade de monitoramento da cobertura vegetal do Estado pelo projeto HARPIA, inclusive com a celebração de termos de compromisso com os autuados das áreas desmatadas ilegalmente. A próxima etapa do projeto consiste em ampliar o monitoramento para todas as áreas da Mata Atlântica, estendendo, posteriormente, para a Caatinga e o Cerrado.