'Se não ajudo, criticam. Se ajudo, quero aparecer', desabafa Xuxa - Jornal Camaçari - Pra quem quer mais!

segunda-feira, 30 de março de 2020

'Se não ajudo, criticam. Se ajudo, quero aparecer', desabafa Xuxa


Domingo, 14h18, dispara uma mensagem no WhatsApp. É Xuxa Meneghel avisando que acordou tem mais ou menos meia horinha, vai comer alguma coisa e me liga em breve para conversarmos. “Passei a madrugada fazendo maratona na TV. Assisti ao filme ‘Minha mãe é uma peça 3’. Adorei. Mas não me identifiquei em momento algum. Dona Hermínia (personagem de Paulo Gustavo) é doidinha, exagerada demais”, diz a apresentadora, assim que o papo começa.
A vida, segundo a estrela da televisão, mudou pouco desde que entrou em quarentena para conter o avanço do novo coronavírus. “Não gosto de sair de casa nem nas férias. A única questão ruim são os pensamentos. Não dá para ficar imune quando tem gente morrendo”, comenta. Em seu isolamento (privilegiado, ela sabe), numa mansão num condomínio na Barra da Tijuca, Xuxa está com a filha, a modelo Sasha Meneghel, o namorado, o ator Junno Andrade, uma funcionária que quis ficar por se sentir mais segura, um casal de amigas com uma bebê recém-nascida, além de Maria, a quem chama carinhosamente de segunda mãe.

Em meio à pandemia, Xuxa completou 57 anos, na sexta-feira. “Mas não tinha clima para comemorações”, observa a loura, que doou R$ 1 milhão ao Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de sua empresa de depilação, a Espaçolaser, para ajudar no combate à Covid-19. Foi a primeira celebridade brasileira a fazer algo do tipo — pelo menos publicamente, seguindo os passos de Blake Lively e Rihanna, que lá fora doaram, respectivamente, US$ 1 milhão e US$ 5 milhões.
Em pouco mais de uma hora de entrevista por telefone, a apresentadora reflete sobre a crise de saúde, defende o veganismo e se mantém em cima do muro ao falar sobre política.

O GLOBO: Você doou R$ 1 milhão ao SUS por meio da empresa de depilação da qual é sócia. O que queria mostrar com isso?

XUXA: A ideia não era mostrar nada. Quis só ajudar mesmo. O ponto não é dar dinheiro, é doar sem esperar receber nada em troca, sem interesses. Com a empresa Baruel, que licencia os produtos da Xuxinha, consegui 300 mil sabonetes; a metade foi para São Paulo e a outra parte foi distribuída nas favelas cariocas. Minha intenção é simplesmente fazer.

O que é bom para sua imagem também.

Decidi ser uma pessoa pública aos 16 anos e sou criticada desde então. Se não ajudo, criticam. Se ajudo, quero aparecer. É bastante difícil viver nesse mundo sem ter uma resposta positiva. É uma pena. Estamos muito negativos.

O que tem achado das ações do poder público diante dessa pandemia?

Ouço o governador do Rio (Wilson Witzel) falando algumas coisas; nosso presidente (Jair Bolsonaro), outras, que a gente gostaria que ele não tivesse dito. Uns dizem que é só uma “gripezinha”, outros que não devemos tratar a Covid-19 como tal. Estão circulando muitas informações por aí, e qualquer posicionamento que eu venha ter agora pode soar leviano ou injusto. Só acho que os políticos deveriam estar mais preparados para se comunicar com o público.

Está acompanhando shows e lives que os artistas têm transmitido pelas redes sociais para entreter o público durante a quarentena?

Tem muita gente com boa intenção, e tem uma galera querendo aparecer. Cada um acha que sua opinião é mais importante do que a do outro. Não sei se estou um pouco descrente dos seres humanos... Mas se vejo alguém falando algo sério e pertinente, compartilho. Aliás, temos que bater muita palma para os profissionais de saúde que estão na linha de frente. Já escutei médicos e enfermeiros dizendo que estariam nessa missão ainda que não fosse obrigação.

Está conseguindo manter uma rotina de trabalho?

A RecordTV cancelou as gravações do programa “The four Brasil”. Não tem como trabalhar normalmente com uma pandemia. Tenho feito reuniões virtuais sobre o filme e o seriado que querem fazer da minha vida. Não assinei nada. São apenas sondagens. Não tenho maiores detalhes.