sábado, 15 de fevereiro de 2020

Manifestantes realizam ato contra mortes de pais de família em Barra do Pojuca



A população de Barra do Pojuca, na Orla de Camaçari, parou a pista principal de Barra do Pojuca nesta sexta-feira, 14, pela manhã, caminhando 10 km desde a localidade da Tirica para protestar pela morte de dois jovens trabalhadores, pais de família - José Nilton Silva dos Reis e Gilson Batista – que se acidentaram recentemente ao se chocarem em suas motos com cavalos soltos na Estrada da Tiririca. Os acidentes aconteceram porque os animais se abrigam nas laterais da estrada da Tiririca, embaixo da planta sansão do campo, que se alastrou pela região.

Os moradores pedem que os proprietários prendam seus animais e que a Prefeitura de Camaçari dê uma solução para a proliferação descontrolada da árvore “sansão do campo”. A planta que tem sido utilizada como cerca viva e tem feito com que a passagem de carros pela via também seja perigosa e que os animais que ficam escondidos debaixo possam sair repentinamente para a pista, causando os acidentes.


As vítimas – José Nilton Silva dos Reis vendia pão a domicílio, ao longo da estrada. Sua moto se chocou com um cavalo. Gilson Batista, de apenas 20 anos, faleceu no último dia 5 de janeiro, nas mesmas circunstâncias. José Nilton Silva dos Reis

Um problema chamado sansão do campo  que motivou a morte das vítimas - A árvore conhecida como  Sansão-do-Campo ou Sabiá de espinho (Mimosa caesalpiniifolia) originada do Nordeste do Brasil, muito utilizada em recuperação de áreas degradadas, sendo que suas folhas também são utilizadas como alimento para o gado em épocas de escassez hídrica,  vem há 20 anos sendo cultivada como cerca viva em todo o Brasil, e no nosso caso, no Litoral Norte da Bahia, relata o maestro Fred Dantas, que na região tem dois projetos : a Fundação Eco-Educativa Fred Dantas, a Escola Ambiental .  

Ele continua a explicar : “ocorre que, nesta região com umidade maior, ainda que em solos arenosos, o sansão de solução tem se tornado problema. Passou a crescer em um ritmo muito mais acelerado que qualquer outra planta nativa ou árvores frutífera.

Ao fazer suas cercas com fileiras dessas árvores, os donos de pasto e lavouras não contavam com a enorme produção de sementes que, levadas pelo vendo, germinam em toda a área com raízes verticais que se lançam como pivôs, buscando a umidade mesmo em camadas mais profundas do solo, dificultando muito sua erradicação. Assim, muitos pastos e plantios foram simplesmente vencidos, tornando-se bosques artificiais dominados pela planta estranha.

Ao longo das estradas rurais, já estreitas e sem acostamento, as árvores do sansão lançam seus galhos em busca da luminosidade, estreitando ainda mais a pista, em muitos trechos passando apenas um carro cada vez. Os galhos rebaixados do sansão tornaram-se atrativos para animais soltos, que ali buscam alimento e sombra.

Os proprietários que plantaram a cerca viva não se sentem obrigados a podá-la - e mesmo quando eventualmente o fazem, a árvores se recupera de uma maneira notável. A prefeitura teria assim que colocar uma equipe em trabalho permanente de poda dessas plantas.

Foi justamente esse panorama que motivou a morte dos dois jovens, cujas motocicletas se chocaram com animais abrigados sob as árvores de sansão ao longo da Estrada da Tiririca, em Barra do Pojuca, região conhecida por sediar há 22 anos a Escola Ambiental.

Na área de mata protegida pela Fundação Eco-Educativa Fred Dantas, a Escola Ambiental, tem sido feito um trabalho de erradicar, cavando fundo até a raiz, para que as plantas invasoras, cujas sementes são trazidas pelo vento,  não ocupem o lugar da vegetação nativa de restinga, que por natureza tem crescimento lento e equilibrado com os nutrientes e umidade oferecido pelo solo da região”, conclui.